As Crônicas de Nárnia foi o primeiro filme com atores dirigido por Andrew Adamson; antes ele só havia dirigido os filmes de animação Shrek, em 2001, e Shrek 2, em 2004.

Os produtores solicitam autorização ao governo da Nova Zelândia, onde as filmagens foram realizadas, para que 12 renas pudessem ser trazidas para as filmagens. O Ministro da Agricultura local recusou o pedido devido a uma doença que estava atacando a população de renas dos Estados Unidos na época. Contudo, dez lobos foram liberados para as filmagens.

Douglas Greshman, enteado de C. S. Lewis, é co-produtor dos filmes.

A Weta Workshop, que desenhou e produziu as armas e os cenários, é a mesma que trabalhou na trilogia O Senhor dos Anéis.

Esta é a 4ª vez que a série de C.S. Lewis é adaptada mas trata-se da 1ª para o cinema, já que as demais foram para a TV. As demais adaptações foram The Lion, the Witch and the Wardrobe (1967), The Lion, the Witch and the Wardrobe (1979) e The Lion, the Witch and the Wardrobe (1988).

A banda Evanescence compôs duas canções para a trilha sonora, The Narnia Song e Lacrymosa, porém foram descartadas por serem consideradas muito tristes pela produção.

A cena de Edmundo voltando para o seu quarto para recuperar a foto do pai durante o bombardeio aconteceu de verdade com um dos membros da produção: o editor Sim Evan-Jones.

Douglas Gresham, co-produtor dos filmes e enteado de C. S. Lewis, participou também com a sua voz no início do filme, como o locutor da rádio que comunica os bombardeios.

Quando os irmãos Pevensie estão na estação de trem, Pedro olha para um soldado, que é figurado por Jaxin Hall – o vice-campeão que concorreu com William Moseley para o papel de Pedro.

O busto que a Dona Marta adverte que não toquem é o de Dante Alighieri.

Os entalhes do Guarda-Roupa são referentes à passagens do livro O Sobrinho do Mago.

No escritório de Digory o porta-fumo do professor é uma maçã de prata, outra referência de O Sobrinho do Mago.

A chegada de Lúcia à Nárnia foi realizada buscando o máximo realismo. Para isso, a produção fez com que a Georgie Henley não visse o cenário de neve antes das gravações. Eles a colocaram de olhos vendados, ao abrí-los, a cena foi composta pela admiração da garota pelo local. O grito que ela deu ao ver o Sr. Tumnus também foi bem real, pois ela não tinha visto ainda James McAvoy vestido de fauno.

Na cena onde Lúcia toma chá com o Sr. Tumnus, Georgie Henley na verdade está tomando leite – ela odeia chá.

Georgie Henley criou um tributo “anti-palavrões” durante as gravações, onde quem dizesse algum deveria colocar dinheiro em um baldinho. James McAvoy foi quem mais teve de pagar e nem a Georgie ficou de fora dessa.

Diversos pássaros fizeram ninhos dentro do estúdio de filmagem e várias cenas tiveram que ser filmadas duas vezes devido ao ruído que as aves estavam fazendo.

Os lobos utilizados nas filmagens eram reais, porém passaram por um ajuste via computação gráfica para remover as caudas que se mexiam muito por outras de mentira com menos movimento.

A computação gráfica no Sr. Tumnus foi aplicada da cintura para baixo – pernas e patas de cabra. Suas orelhas eram controladas por controle remoto e um nariz falso junto com um monte de cabelo foi colocado na maquiagem.

Quando Lúcia encontra-se com o Sr. Tumnus, ele toca uma música para ela com um instrumento muito interessante de Nárnia. O som real ouvido é produzido pela duduk (doudouk, düdük), um instrumento de sopro antigo que está se tornando uma tradição entre os filmes de Hollywood. Já o instrumento que aparece na cena não existe, foi criado pela produção e não emite som.

Skandar Keynes foi escolhido para interpretar Edmundo, principalmente por causa dos olhos.

Skandar Keynes (Edmundo) estava em plena fase de crescimento, o que fez com que precisassem aumentar sua armadura várias vezes – ele cresceu 16 centímetros durante as gravações.

Na cena onde Edmundo quebra a janela do casarão com uma bola, Skandar Keynes abusou um pouco da força e acabou quebrando por acidente um equipamento de iluminação.

O mesmo leão de pedra que Edmundo desenha um bigode e óculos (quando ele está no castelo da Jadis) aparece no final, na coroação, de pé ao lado da raposa.

Skandar Keynes não estava nos sets quando iam gravar a cena de Edmundo entrando no guarda roupa para seguir Lúcia. A cena foi então gravada por Anna Popplewell vestida com as roupas dele – depois fizeram alguns ajustes com computação gráfica.

A edição de imagem também foi utilizada no pôster ao aproveitarem o corpo de Edmundo para incluir o rosto de Pedro.

O ator que interpreta Pedro Pevensie, William Moseley, tem também Pedro no nome: William Peter Brown Moseley.

William Moseley bateu sua espada acidentalmente Georgie Henley durante uma das gravações.

O escudo de Pedro tem desenhos de folhas de macieira e maçãs, mais uma referência à macieira que protegia Nárnia em O Sobrinho do Mago.

A inscrição na lâmina da espada de Pedro diz: “When Aslan shakes his mane, Narnia shall know spring again.” (Quando Aslan sacode a juba, Narnia conhecerá a primavera de novo.”)

A cena da ressurreição de Aslam na Mesa de Pedra, quando os ratos roem as cordas, teve de ser gravada duas vezes devido ao medo que Anna Popplewell (Susana) tem de ratos.

A pele em volta do pescoço da Feiticeira Branca, durante a cena de batalha, é a juba de Aslam que foi cortado na noite anterior.

Aslam cresceu 5% depois que ressuscitou na Mesa de Pedra.

Nenhum leão real foi usado no filme porque Andrew Adamson queria o momento em que Georgie Henley poderia chegar e tocar Aslam. Demorou cerca de 10 horas para renderizar cada quadro de Aslam em computação gráfica e seus 5,2 milhões de fios de cabelo.

A personagem Jadis, a feiticeira branca, foi oferecida a Michelle Pfeiffer, que não pôde aceitá-la devido a obrigações familiares.

Tilda Swinton não havia lido a série antes de rodar o filme, depois tornou-se uma grande fã.

Para interpretar Jadis, Tilda precisou usar sapatos de plataforma para ficar ainda mais alta e uma cinta especial para os ombros para poder se firmar com o peso da peruca e da coroa.

Inicialmente seria Brian Cox quem daria voz ao personagem Aslan, mas ele foi substituído por Liam Neeson.

A versão adulta de Lúcia Pevensie foi interpretada pela irmã mais velha de Georgie Henley, a atriz chamada Rachael Henley.

As gravações da entrada e saída do guarda-roupas foram feitas no mesmo dia, de forma que os Pevensies, mesmo com tanto tempo em Nárnia, aparecem de volta na mesma hora e com a mesma aparência – se fosse gravada no final do período de gravação, com certeza os atores estariam diferentes.

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Celso Sabadin (Yahoo)

Pouca gente deu atenção à morte do escritor Clive Staples Lewis. Os jornalistas do mundo inteiro estavam ocupados com outra tragédia mais “importante” acontecida exatamente no mesmo dia: o assassinato do presidente John Kennedy. Coisas da mídia. C.S. Lewis morreu em 23 de novembro de 1963, deixando uma vasta obra literária especializada no público infantil. E nela se encontram os sete livros da coleção As Crônicas de Nárnia, uma série de aventuras épicas recheada de fantasia que o cinema não ousou filmar até agora (há uma versão mais modesta feita pela TV inglesa em 1988, mas produzida em vídeo). Nem poderia ser diferente: só agora existe tecnologia suficiente em efeitos especiais para dar alguma veracidade a esta história tão fantástica.

Em As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, tudo começa com os alemães bombardeando Londres, durante a 2ª Guerra Mundial. Os irmãos Peter (William Moseley), Susan (Anna Popplewell), Edmund (Skandar Keynes) e Lucy Pevensie (Georgie Henley) têm sua casa destruída pelas bombas e são mandados para o interior do País, à espera de tempos melhores. Acolhidos na gigantesca mansão vitoriana do misterioso Professor Kirke (Jim Broadbent), eles tentam vencer o tédio brincando de esconde-esconde. E logo descobrem um guarda-roupa mágico que serve de portal para o reino de Nárnia, um lugar de fantasias, reis, rainhas e seres mitológicos que – assim como o mundo real – também se encontra em guerra. É ali que os quatro irmãos desempenharão um papel fundamental para que o rei Aslan (voz de Liam Neeson) retome o poder, usurpado pela maligna Bruxa Branca (Tilda Swinton, ótima no papel). É pura fantasia!

Até pelo fato do livro já ter mais de meio século, é impossível não identificar em As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa elementos que já fazem parte do imaginário infanto-juvenil. Como não associar, por exemplo, os irmãos Pevensie aos órfãos de Desventuras em Série? Ou mesmo às crianças da Família Von Trapp, de A Noviça Rebelde? E o guarda-roupa não seria uma versão com portas entalhadas do famoso espelho da Alice, de seu contemporâneo e xará Lewis Carroll? Isso sem citar o mundo fantástico criado pelo alemão Michael Ende em História Sem Fim. E, se alguém notar semelhanças com a trilogia O Senhor dos Anéis, elas não aconteceram à toa: J.R.R. Tolkien foi amigo pessoal de C.S.Lewis, e ambos pertenceram até ao mesmo clube literário, na Universidade de Oxford.

Portanto, não cabe aqui tentar desvendar os mistérios sobre quem influenciou quem, e onde. O importante é que As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa proporciona a todos os públicos uma empolgante viagem fantástica com conteúdo à moda antiga e técnica das mais modernas (embora ainda alguns efeitos sejam gritantemente digitais). Com direito a reis e bruxas, elfos e centauros, e uma mega batalha final envolvendo leopardos, rinocerontes e ursos. Tudo emoldurado pelo deslumbrante desenho de produção de Roger Ford (o mesmo da versão 2003 de Peter Pan) e comandado por Andrew Adamson, o diretor de dois dos maiores sucessos infanto-juvenis dos últimos anos: Shrek e sua continuação.

Vale cada um dos 140 minutos de filme.

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Leandro Diniz (Cinema em Cena)

Há três níveis de análises possível quando se assiste a um filme como esse. Nárnia é uma adaptação da obra de CS Lewis, que não é desconhecida nem tão famosa como outros livros que circulam ao milhões de exemplares nas cabeceiras das crianças hoje em dia. Conta a história de quatro irmãos que se vêem enrolados nas tramas e profecias de um mundo alternativo que se esconde dentro de um guarda roupas. A primeira análise passa pela fidelidade da obra, cuja não li ainda, portanto não me vejo apto a analisar. Fiquei com certo interesse ao ver o trailer no meio do ano e tentei comprar o volume, mas preferi adiar a compra já que o volume único com todas as crônicas iria sair. A segunda é propriamente cinematográfica, nesta me prolongarei um pouco mais. O filme começa quando vemos um ataque alemão à Inglaterra durante a Segunda Guerra. Somos levados ao interior de uma casa onde quatro irmãos e sua mãe lutam para se abrigar antes que bombas estourem sua casa. Creio que o filme se detém muito pouco no relacionamento dos quatros irmãos antes de embalar, o que é uma pena, pois alguns dos momentos finais precisaria de um embasamento mais forte do que o que apresenta. As implicâncias do irmão com o mais velho e toda uma conduta dos quatro acontece como se empurrada goela à baixo do espectador, como se já acompanhássemos a vida dos quatro infantes há bastante tempo e por isso mesmo não precisando tomar muito tempo em desenvolvê-la. Logo somos apresentados a floresta nevada de onde vamos conhecendo, juntamente com os personagens mirins. Então que as coisas vão acontecendo. E aos poucos elementos do mundo mágico de Nárnia vão sendo apresentados com cuidado bem dosado pela produção e roteiro. A situação da casa onde em determinado momento o filme volta é meio aborrecida, já que as pendengas entre os irmãos não são muito diferentes que qualquer criança chata na rua. Sem falar em acontecimentos rapidamente administrados pelo roteiro com clichês como por exemplo ao ouvirmos algo assim “amanhã poderemos brincar e fazer tudo que quisermos”, logo sendo cortada a cena para mostrar uma chuva torrencial, sinal do tédio dos irmãos. Ressaltando os diálogos que não são lá muito inspirados. Mas rapidamente perdemos contato com o mundo real e passamos a mergulhar fundo no mundo Narniano. Conhecemos a Feiticeira Branca, como líder do lado mal do mundo, que domina tudo há 100 anos de um longo inverno, mas essa opressão não é devidamente sentida nem mostrada pelo filme, assim conhecemos apenas através da fala de alguns personagens. Destaque para a caracterização dos seres mágicos que povoam o filme, são muito bem feitas e bem críveis. Assim como os animais em animação que são inseridos junto aos personagens reais, soam muito bem sem destoarem do todo, e ao vermos um lobo, um castor, uma raposa, um cavalo e um leão falando não estranhamos e até achamos muito simpático o modo como é real a coisa. Bem como todo filme meio-épico temos a carga dramática, que já falei deixa a desejar um pouco pela falta de embasamento e temos as tiradas cômicas para aliviar certa tesão. Essas que as vezes funcionam as vezes não. Ainda mais com a repetição desenfreada de frases que deixam muitos personagens “engraçadinhos” quando não deveriam, todos tem uma tirada cômica repetindo uma frase dita antes por outro personagem, e nós sabíamos que aquela frase ia dar um caldo no final (ia ser usada de algum modo como manipulação sentimental). Tirando esses elementos, que podem muito bem funcionar para crianças, mas para adultos já não colam muito, o filme cumpre o papel de divertir e entreter o espectador que conhece um mundo fantástico e se envolve com os seus acontecimentos. Com muitos pontos positivos como, por exemplo, a alternância das narrativas entre a guerra que se desenrola e certo acontecimento paralelo, o filme consegue se manter do meio até o fim sempre pegando a atenção do espectador, e surpreendendo, encantando, tocando ou assustando-o. Devendo na carga dramática necessária para nos importarmos com o relacionamento dos quatro irmãos acabamos dando mais importância ao relacionamento da caçula com o fauno, por exemplo, e com isso o filme perde um pouco da sua importância ao girar em torno desses seres humanos, que são raros no novo mundo. Com efeitos muito bem produzidos e uma direção segura (já que acho a falta da dramaticidade direcionada ao roteiro) As Cônicas de Nárnia em seu primeiro volume cumpre bem o papel e diverte, vale a pena ir ver. Com uma ótima trilha sonora que não peca em momento algum do filme, ajudando a criar o clima certo para cada momento e auxiliado ainda pela fotografia que separa muito bem os dois lados do mundo de Nárnia com o caloroso lado do bem com o frio lado do mal toda a produção técnica é impecável. Como disse antes, cabendo três análises parto para a última e mais profunda que é em relação ao conteúdo da obra. A obra de CS Lewis é aclamada, mas com ressalvas. Como disse antes, nunca li o livro de origem, mas em ligeiras pesquisas sobre sua obra li muitos comentários aproximando muito o conteúdo com o religioso católico. Pesquisando mais ainda sobre o autor, que era ateu e se converteu passando a defender sua crença, acredito que isso possa ser verdade. O filme, primeiro, trata de seres humanos sendo responsáveis pela salvação de um mundo encantado, lendo mais profundamente, digamos que se deva a falta dessa fantasia no mundo de hoje e o esquecimento delas, só podendo ser salva pelos próprios humanos, que precisam ser introduzidos dentro de um mundo que cabe em um guarda roupas para crerem de fato em certas coisas. Logo chegando ao mundo vemos que ele se separa entre personagens bons e maus. E essa separação não é sutil é realmente radical, os personagens maus não trazem um pingo de bondade no coração e os personagens bons não parecem serem maculados por nenhum sentimento ruim, pelo menos a obra não dá espaço para sabermos isso e, portanto, dando a entender a leitura dessa mesma forma de seus personagens. A Feiticeira Branca é detentora do elemento gelo, onde tudo é frio, gelado e duro. Enquanto o oposto é defendido por um leão, que já submete-nos à natureza e todo seu esplendor, com cores vivas, vento, sol e calor, não o excessivo, mas aquele que é aquecedor e caloroso. Tudo começa quando sabemos da profecia. Esta que diz que dois filhos de Adão e duas filhas de Eva viriam para, em conjunto de, Aslam (o rei leão) destruir o poderio da Feiticeira Branca e por um fim no inverno de 100 anos que passa o mundo de Nárnia. Essa menção aos nomes de Adão e Eva é repetida algumas vezes durante o filme, e creio que na obra literária também, a fim de aproximar realmente o pensamento com o da Bíblia. O que vai ser devidamente concluído e certificado quando um personagem se sacrifica em nome do amor, ressuscitando, mais tarde. Elementos muito próximos da doutrina católica. Essa mensagem oculta, essa moral cristã camuflada, pode ser maléfica para a obra, já que para que uma obra seja universal ela tem de acolher todos os públicos, e não tentar ensinar um só jeito de ser e existir. E não apenas com a conduta dos personagens, mas com a moral sendo explicada e falada pelos personagens. Enfim, um filme onde o bem e o mal se enfrentam com tanta nitidez que não deixa espaço para uma presença humana, e com tais lições claras de certa moral, creio que em seu conteúdo a obra é deficitária, pois não assume que é claramente uma coisa, nem deixa de citá-la. Como que criando um mundo onde esse mundo não é vivo e real, mas sim apenas uma forma de ensinar algo de forma diversa. Pelo menos foi a minha impressão, que incomoda em certas partes do filme, mas que no final, se você deixar passar, não consegue estragar a sua diversão.

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Diogo de Jesus Moreira Cysne (Cine Players)
C.S.Lewis destacou-se muito durante a 2a Guerra Mundial ao ensinar valores cristãos de forma simples em tempos difíceis como aqueles. Entre seus vários livros escritos destacou-se uma série infantil chamada “As Crônicas de Nárnia”, iniciada com o “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”. Após algumas adaptações para rádio e televisão entre as décadas de 60 e 90, incluindo uma versão da BBC que fez grande sucesso na Grã-Bretanha, a Disney resolveu difundir a obra nas telonas. Infelizmente, este foi um começo muito, muito fraco para uma série de tão boa reputação: esta versão da Disney quase que mata a verdadeira magia da terra de Nárnia, deixando um resultado satisfatório apenas para o público infantil.

O filme mostra a aventura dos quatro irmãos Pevensie que, após refugiarem-se em uma mansão de campo do Prof. Kirke para escapar dos conflitos da 2a Guerra em Londres, descobrem uma terra encantada chamada Nárnia. Este lugar, que outrora fora feliz e próspero, é agora governado por uma tirana conhecida como a Feiticeira Branca. Os irmãos, que descobrem fazer parte de uma importante profecia, se unem aos narnianos e à Aslam, o deus-leão de Nárnia, para derrotar a Feiticeira e pôr fim ao seu longo reinado.

O roteiro do filme segue à risca a premissa do livro de Lewis: é uma versão fiel, com poucas mudanças e até com os diálogos idênticos ao do livro em muitas partes do livro. Entretando, como acontece na maioria das adaptações desse gênero, o roteiro pôs tudo a perder pela precariedade com que explora a magia por trás de Nárnia, deixando tudo superficial. Esse erro é gritante em quase todo o filme: a história de Nárnia e da profecia dos Pevensie é narrada de forma atropelada, muito rapidamente. O mais gritante é que, apesar de todo o perigo que Nárnia corre nas mãos da execrável Feiticeira, tudo parece estar indo de vento em popa. O filme não deixa transparecer esta ameaça, fazendo a Feiticeira parecer uma vilã de segunda categoria (o que ela não é).

Outro pecado do roteiro, e esse é o mais nítido, é a péssima forma com que ele explora seus personagens, tanto pelo péssimo transcorrer da história quanto às atuações abaixo do nível. Os quatro Pevensie, por exemplo, que são os personagens principais da série, apresentam uma performance totalmente amadora, com ações previsíveis e personalidades clichês. A única, de fato, que se salva entre o quarteto é a caçula Lúcia Pevensie (Georgie Henley). Por falar nela, resumirei os únicos personagens cuja atuação salva o filme;

A mencionada Georgie Henley traz uma atuação boa, embora não excepcional. Ela encarna muito bem a inocência e pureza características da personagem Lúcia, mesmo com algumas sequências e que sua atuação também é superficial. Agora, a redenção do filme, literalmente, vem sob o personagem Aslam. Originalmente criado por Lewis como a representação narniana d Jesus Cristo, o grande leão, além da voz poderosa, na versão original, por Liam Neeson, é extremamente bem construído no filme: feito 100% por técnicas de computação, tanto sua representação digital quanto sua atuação marcam o filme. Ele realmente possui imponência e, mesmo sendo gentil e afetuoso, o espectador sabe que ele é um ser com o qual “não se pode brincar”. Como o próprio filme cita, “não é um leão domesticado”.

Para terminar o quesito das atuações, uma decepção: a consagrada Tilda Swinton cai na superficialidade do roteiro e acaba fazendo uma vilã pouco convincente. Ao contrário de Aslam, ela não impõe medo nem possui qualquer imponência no filme. Isso é algo chocante visto a experiência da atriz, consagrada com um Oscar por “Conduta de Risco”.

Mas as falhas, infelizmente, não se limitam ao roteiro: a parte técnica, por incrível que pareça, possui defeitos imperdoáveis. O mais nítido é a péssima utilização dos efeitos especiais, que são nada mais do que falsos. Os gráficos do filme, apesar de retratarem muito bem os animais, falham em todo o resto: na cena da batalha final, por exemplo, em que o exército da Feiticeira de agrupa, é possível notar os contornos negros em volta de cada “soldado”, indicando que todos foram postos ali por efeitos digitais mal realizados. Isso é algo surpreendente (de tão ruim) para uma produção que custou em volta de 180 milhões de dólares.

A trilha sonora funciona muito bem se analisada em partes: as músicas são realmente belas. Entretanto, o conjunto não ficou muito bom devido à edição do filme. Muitas músicas eram atropeladas, encaixadas fora de ordem ou, às vezes, não correspondiam em nada à cena que retratavam (colocar uma música alegre em cena triste, por exemplo). Mesmo assim, detalhes dessa natureza já são muito miúdos, sendo que a maioria dos espectadores pode deixar passar.

A direção, como era de se esperar, foi a grande responsável por esses erros, principalmente na condução do roteiro. Ela ficou a cargo de Andrew Adamson, que conduziu com maestria as animações “Shrek” e “Shrek 2?. Entretanto, ele revela-se completamente inexperiente para uma produção dessa reputação e com atores de carne e osso. A direção, de fato, foi originalmente oferecida à Guillermo del Toro que, infelizmente, recusou-a para fazer o belíssimo “O Labirinto do Fauno”.

Mesmo com todos esses problemas, “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa” salva-se principalmente pelo fato de ser um filme essencialmente infantil. Para esse público específico, todos esses defeitos passarão em branco em favor das belas cenas do filme (e ele possui muitas, com gravações feitas na Nova Zelândia) e dos animais falantes (um grande atrativo para elas). Nessa ótica, o filme cumpre satisfatoriamente seu papel: entreter as crianças, e só. Foi por isso que o filme fez tanto sucesso nas bilheterias, com mais de 740 milhões de dólares arrecadados. Porém, dessa maneira, dificilmente “As Crônicas de Nárnia” conquistarão algum outro tipo de público, além de decepcionar profundamente os fãs “mais crescidos” dos livros de Lewis.

Por fim, “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa” acaba sendo um péssimo primeiro passo para a série, na visão dos adultos e dos fãs. Entretanto, sem dúvida será uma experiência agradável para as crianças. Na visão delas, aliás, até que o filme não é de todo ruim. Mas a série possui muito, muito mesmo o que amadurecer, e é esse o desejo, e o recado, de todos os espectadores que querem conhecer a verdadeira magia de Nárnia. Torçamos por essa mais nova franquia da Disney, portanto.

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Roteiro: Ann Peacock, Andrew Adamson, Christopher Markus e Stephen McFeely

Direção: Andrew Adamson
Produção: Mark Johnson e Philip Steuer
Co-produção: Douglas Gresham
Produção executiva:
Andrew Adamson e Perry Moore
Fotografia: Donald McAlpine
Trilha Sonora: Harry Gregson-Williams

Produção associada:
K.C. Hodenfield
Produção (Stillking Films, República Tcheca): David Minkowski e Matthew Stillman

Cenografia e Direção de fotografia: Donald McAlpine
Edição: Sim Evan-Jones e Jim May
Casting: Pippa Hall e Gail Stevens
Design de Produção: Roger Ford
Direção de Arte: Jules Cook, Karen Murphy, Jeffrey Thorp e Ian Gracie
Decoração dos sets: Kerrie Brown
Figurino: Isis Mussenden

Veja a lista completa da equipe técnica no IMDb

Dublagem brasileira
Lúcia Pevensie: Bianca Salgueiro
Edmundo Pevensie: Diogo Ferreira
Pedro Pevensie: Felipe Drummond
Susana Pevensie: Lina Mendes
Jadis – Feiticeira Branca: Miriam Ficher
Sr. Tumnus: Alexandre Moreno
Aslan: Paulo Goulart
Professor Digory Kirke: Isaac Schneider
Dona Marta: Marize Motta
Papai Noel: Orlando Drummond
Ginarrbrik: Telmo Avelar
Sr. Castor: Isaac Bardavid
Sra. Castor: Geisa Porto Vidal
Raposa: José Luiz Babeito
Gryphon: Waldyr Sant´anna
Centauro: Ronaldo Júlio
Philip, o cavalo: Mauro Ramos/ Waldir Santanna
Lobo: Hamilton Ricardo
Sra. Pevensie: Juraciára Diácovo
Lúcia, adulta: Sylvia Salustti
Edmundo, adulto: Marcelo Garcia
Pedro, adulto: Marco Antonio
Susana, adulta): Mabel César
Outras vozes: Pedro Eugênio, Luiz Carlos Percy, Maurício Berger, Leonardo Serrano, Flávio Back, Marcello Mattos, João Paulo Pantoja, Silvia Goiabeira, Ana Lúcia Granjeiro.
Estúdio: Delart (Direção de Peterson Adriano e tradução de Mário Menezes)

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The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe (As Crônicas de Nárnia: O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa) é o primeiro filme da adaptação da série de livros escrita por C. S. Lewis, produzido pela Walden Media e distribuído pela Walt Disney Pictures / Buena Vista, em 2005. A direção foi assinada por Andrew Adamson (Shrek 1 e 2) e filmada na Nova Zelândia, Polônia, República Checa e Inglaterra. A estreia ocorreu no dia 9 de dezembro de 2005 e o filme arrecadou mais de 700 milhões de dólares em bilheteria em todo o mundo.

Sinopse:
Lúcia (Georgie Henley), Susana (Anna Popplewell), Edmundo (Skandar Keynes) e Pedro (William Moseley) são quatro irmãos que vivem na Inglaterra, em plena 2ª Guerra Mundial. Eles vivem na propriedade rural de um professor misterioso, onde costumam brincar de esconde-esconde. Em uma de suas brincadeiras eles descobrem um guarda-roupa mágico, que leva quem o atravessa ao mundo mágico de Nárnia. Este novo mundo é habitado por seres estranhos, como centauros e gigantes, que já foi pacífico mas hoje vive sob a maldição da Feiticeira Branca, Jadis (Tilda Swinton), que fez com que o local sempre estivesse em um pesado inverno. Sob a orientação do leão Aslam, que governa Nárnia, as crianças decidem ajudar na luta para libertar este mundo do domínio de Jadis.

Gênero: Aventura / Fantasia
Tempo: 135 min.
Lançamento: 2005
Lançamento DVD: Mar de 2006
Classificação: 10 anos
Distribuidora: Buena Vista

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